terça-feira, 27 de setembro de 2011

Atalho



E o caminho que conheço parece ser tão obsoleto
Que acabo procurando em seu corpo um novo mapa.
Traço um atalho e passo após passo, Paro. 
Domino seu espaço. 
Me acho.
E sigo meu caminho em você....

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ao Delírio




Chega sorrateiro... Bem de leve, leva ao leito uma ponta de prece.
Um pouco de calor.
Quase mudo, transforma seu sonho, arranca seus medos e te coloca de pé.
E aos poucos... Bem vagarosamente, se esvai...

Enlaça seu dorso nu, numa cólica vasta de cores.
Acalenta teu corpo cansado, atingido pelo calcanhar ate ganhar seus punhos,
Cheios de força e ardor.

Pesa...

Olvida a tua face tristonha, te faz essência novamente,
Renasce do berço e dorme.
Domina o que é verossímil, filtra a enchente de suposições
E toma para si o que há de melhor nos mortais.

Acorda... Alcança...
Já não mais suponha, até que invada a alma e morra.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Fugaz



Houve a fuga, a corrida, a procura
Houve de fato à distância, a falta de vingança, a amargura
Foi sua 3ª tentativa,
Sua primeira viagem só de ida,
Sua válvula de escape em carne viva,
Houve a fuga, a insegurança, a partida.

Senti aos poucos sua perda,
Presenciei o seu último giro.
Era de fato pra mim uma fortaleza,
Que hoje não passa de um suspiro...

Engoli a seco minhas lágrimas, meus pedidos de desculpas
Aceitei o tal do adeus, presenciei a maldita fuga!
No chão, vejo as marcas dos pés nervosos
Em busca de um lugar onde essa nova face possa se encarar
Eu o sinto longe, divagando
Declamando palavras sem sentido, cuidando do seu amor ferido
Se perguntando se ainda há perigo e se já pode voltar.

Eu sinto que ele foge de mim
Mas mesmo distante se faz presente,
Porque o corpo pede distância, mas os pensamentos...
Esses não abandonam a gente.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Menina Mulher


“... Pensando nela, todo dia toda hora, passando pela minha janela, todo dia toda hora,
Sabendo que eu fico a olhar com malícia, a sua pele preta, com malícia...” -  Jorge Ben
Não dá sossego á minha mente
Atormenta ainda mais quando não esta presente.
Deixou uma marca, algo pra quem vê de fora transparente
Deixou em mim uma vontade indecente...
A carne transborda desejos e fantasias
Os dedos se atrevem a tocá-lo de forma audaz
Entre arranhões, beijos e poesia
Ela o provoca e só a lembrança da saliva hoje não o satisfaz.
O corpo agora adormecia,
Insinuava taras e malícias
Ele, pouco a pouco a paz perdia
Relembrando daquele corpo o qual tanto pede por carícias
-Com malícia....







segunda-feira, 11 de julho de 2011

MiniContos - Parte II



Negativo
Não quero anel de prata nem cordão de ouro no pescoço,
Não quero ainda ser considerada como primata e viver sempre no osso.
Não quero mais o limite que sempre me foi imposto,
Nem o apetite, se ele ainda for saciado por quem por obrigação me ofereço almoço.

 Bonança
A unção foi certeira,
Amor mútuo!
E o que antes era unidade,
Hoje passou a ser duplo!

Paz
Necessitava de um simples agrado,
Mal não faria em dizer Obrigado
Difícil é viver sempre no passado,
E se houvesse mais cordialidade, no meio dessa guerra de egos ninguém sairia machucado. 

Sativa
Sativa, saliva
Ativa a retina
Pupila saltita
Inofensiva sativa.

 4 Mandamentos
Cala. A fala é falsete num momento de decisão,
Para. E o movimento é luxo no meio da multidão.
Sonha. Porque no teu sonho tudo pode residir,
Cria. Tuas próprias cores pra não deixar de existir.



quarta-feira, 22 de junho de 2011

Indecisão



Talvez seja a sonoridade da voz,
O timbre certo.
Talvez seja o jeito de andar,
Passos discretos.
O olfato aguça o paladar, deixo em segredo
Pele marcada, respiro ofegante, dois corpos negros.

Encontros casuais, desejos sexuais
Toques em extinção, olhares sem permissão.

É proibido, mas ele insiste.
É perigoso, mesmo assim ela se permite.
É intenso, momentâneo e efêmero
Intervenção de sentimentos, saber lidar com a causa e o efeito.

Talvez seja o conforto que seus braços lhe oferece,
Afago.
Talvez seja um sentimento muito precoce,
Entusiasmo.
Talvez seja o toque, a reação dos poros.
O instante do choque – Olhos nos olhos!

Talvez sejamos nós em momentos distintos
E a nossa ausência se faz abrigo.
Se é proibido, melhor não contrariar
Talvez seja mais uma fase, coisa da idade, necessidade
Ou o simples fato de nos distanciar...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ponto Final



Não foi exclamação, nem dois pontos, nem interrogação.
Foi ponto, final e pronto.
Sem muita enrolação, sem reticências ou aspas, sem verbalização.
Foi ponto.
Pra ele? Sim.
Pra ela, não.
Entretanto, não houve tempo para um novo parágrafo e questioná-lo seria em vão.
Foi ponto e nem na mesma linha houve continuação.
Na folha de sua vida ainda havia certo espaço, mínimo de 20 linhas pra ela nunca foi algo muito fácil.
Não é só questão de pontuação, era a sua vida passada a limpo numa espécie de dissertação.
Mas pra ele bastou como um conto,
Foi ponto. Final e pronto.