sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Suas Mãos



É um calor inquietante, 1 par de mãos a me rodear
Sensação inebriante quando em seu colo me ponho a brincar
Se hesitei, foi 1 instante, aquele antes de me entregar
As pernas tremem, o corpo aquece e a boca começa a salivar

Rastros são deixados no chão, suspiros, fôlego, inquietação
Gemidos, sentidos aguçam tudo por conta de 1 par de mãos
O toque transmitia o que o coração não ousava dizer
Os olhos denunciavam nossa intensidade
A fala era algo inútil de querer entender
E aos poucos meu corpo conhecia daquelas mãos a habilidade

É tenro, sutil e uniforme
Carícias se multiplicavam, a noite cai, mas hoje a gente não dorme...

Minha canção de ninar, meu calmante
Necessito de suas mãos pra acalmar meu semblante
Meu vício, meu cheiro, meu amante
Suas mãos, meu corpo, nosso instante. 





Desenho por: Rafael Siqueira (SIQS)


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Mil e uma noites



Madrugada me devora
Aflita me ponho em sonho
Fumaça, brisa, travesseiro
Uma pausa, ameaça, me recomponho... 


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Cadência



E por entre seus enredos eu vaguei,
Baguncei suas vogais
Extrai os seus porquês
Ensinei novos plurais...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Minha Sina




Porque ela une, cativa e transmite magia
Faz reviver sentimentos perdidos, esquecidos e não descobertos
Porque ela pode vir com amor, melodia, raiva, humor, melancolia
Ela me trouxe amigos, pessoas de bem que sempre quero por perto.

É a unção de palavras que precisam de lar
Sujeitos, predicados, verbos então versados para seu espírito elevar.
Surge num momento inesperado, ressurge como a fé nos desesperados
Pode ser sutil e romântica como Vinicius, ousada como Gular.

Assim como Clarice, Paulo, Carlos e Pessoa, também me entreguei,
Assim como grandes gênios, bancários, periféricos, por entre suas vogais eu vaguei.
Li, reli, compreendi, me alimentei
Escrevi, apaguei, uma consoante adicionei
E assim, sem perceber, como brincadeira, me vi em suas entranhas e gostei!

Ao me apaixonar foi minha fiel companheira
E quando deixe de amar também se fez presente.
Homenageei amigos, família, desconhecidos e cativei de forma certeira
Aprendi a ler, interpretar e usá-la de forma consciente.

Me deixei levar por sua harmonia
Por entre seus enredos,
Hoje deixo corpo e mente trabalharem juntos
Pra desvendar os seus segredos.

Meu vicio, minha perdição
 Irradia, ilumina e põe a cabeça no lugar
Minha mania, minha benção!
Ah! Poesia é por você que vivo a suspirar ....

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Atalho



E o caminho que conheço parece ser tão obsoleto
Que acabo procurando em seu corpo um novo mapa.
Traço um atalho e passo após passo, Paro. 
Domino seu espaço. 
Me acho.
E sigo meu caminho em você....

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ao Delírio




Chega sorrateiro... Bem de leve, leva ao leito uma ponta de prece.
Um pouco de calor.
Quase mudo, transforma seu sonho, arranca seus medos e te coloca de pé.
E aos poucos... Bem vagarosamente, se esvai...

Enlaça seu dorso nu, numa cólica vasta de cores.
Acalenta teu corpo cansado, atingido pelo calcanhar ate ganhar seus punhos,
Cheios de força e ardor.

Pesa...

Olvida a tua face tristonha, te faz essência novamente,
Renasce do berço e dorme.
Domina o que é verossímil, filtra a enchente de suposições
E toma para si o que há de melhor nos mortais.

Acorda... Alcança...
Já não mais suponha, até que invada a alma e morra.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Fugaz



Houve a fuga, a corrida, a procura
Houve de fato à distância, a falta de vingança, a amargura
Foi sua 3ª tentativa,
Sua primeira viagem só de ida,
Sua válvula de escape em carne viva,
Houve a fuga, a insegurança, a partida.

Senti aos poucos sua perda,
Presenciei o seu último giro.
Era de fato pra mim uma fortaleza,
Que hoje não passa de um suspiro...

Engoli a seco minhas lágrimas, meus pedidos de desculpas
Aceitei o tal do adeus, presenciei a maldita fuga!
No chão, vejo as marcas dos pés nervosos
Em busca de um lugar onde essa nova face possa se encarar
Eu o sinto longe, divagando
Declamando palavras sem sentido, cuidando do seu amor ferido
Se perguntando se ainda há perigo e se já pode voltar.

Eu sinto que ele foge de mim
Mas mesmo distante se faz presente,
Porque o corpo pede distância, mas os pensamentos...
Esses não abandonam a gente.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Menina Mulher


“... Pensando nela, todo dia toda hora, passando pela minha janela, todo dia toda hora,
Sabendo que eu fico a olhar com malícia, a sua pele preta, com malícia...” -  Jorge Ben
Não dá sossego á minha mente
Atormenta ainda mais quando não esta presente.
Deixou uma marca, algo pra quem vê de fora transparente
Deixou em mim uma vontade indecente...
A carne transborda desejos e fantasias
Os dedos se atrevem a tocá-lo de forma audaz
Entre arranhões, beijos e poesia
Ela o provoca e só a lembrança da saliva hoje não o satisfaz.
O corpo agora adormecia,
Insinuava taras e malícias
Ele, pouco a pouco a paz perdia
Relembrando daquele corpo o qual tanto pede por carícias
-Com malícia....







segunda-feira, 11 de julho de 2011

MiniContos - Parte II



Negativo
Não quero anel de prata nem cordão de ouro no pescoço,
Não quero ainda ser considerada como primata e viver sempre no osso.
Não quero mais o limite que sempre me foi imposto,
Nem o apetite, se ele ainda for saciado por quem por obrigação me ofereço almoço.

 Bonança
A unção foi certeira,
Amor mútuo!
E o que antes era unidade,
Hoje passou a ser duplo!

Paz
Necessitava de um simples agrado,
Mal não faria em dizer Obrigado
Difícil é viver sempre no passado,
E se houvesse mais cordialidade, no meio dessa guerra de egos ninguém sairia machucado. 

Sativa
Sativa, saliva
Ativa a retina
Pupila saltita
Inofensiva sativa.

 4 Mandamentos
Cala. A fala é falsete num momento de decisão,
Para. E o movimento é luxo no meio da multidão.
Sonha. Porque no teu sonho tudo pode residir,
Cria. Tuas próprias cores pra não deixar de existir.



quarta-feira, 22 de junho de 2011

Indecisão



Talvez seja a sonoridade da voz,
O timbre certo.
Talvez seja o jeito de andar,
Passos discretos.
O olfato aguça o paladar, deixo em segredo
Pele marcada, respiro ofegante, dois corpos negros.

Encontros casuais, desejos sexuais
Toques em extinção, olhares sem permissão.

É proibido, mas ele insiste.
É perigoso, mesmo assim ela se permite.
É intenso, momentâneo e efêmero
Intervenção de sentimentos, saber lidar com a causa e o efeito.

Talvez seja o conforto que seus braços lhe oferece,
Afago.
Talvez seja um sentimento muito precoce,
Entusiasmo.
Talvez seja o toque, a reação dos poros.
O instante do choque – Olhos nos olhos!

Talvez sejamos nós em momentos distintos
E a nossa ausência se faz abrigo.
Se é proibido, melhor não contrariar
Talvez seja mais uma fase, coisa da idade, necessidade
Ou o simples fato de nos distanciar...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ponto Final



Não foi exclamação, nem dois pontos, nem interrogação.
Foi ponto, final e pronto.
Sem muita enrolação, sem reticências ou aspas, sem verbalização.
Foi ponto.
Pra ele? Sim.
Pra ela, não.
Entretanto, não houve tempo para um novo parágrafo e questioná-lo seria em vão.
Foi ponto e nem na mesma linha houve continuação.
Na folha de sua vida ainda havia certo espaço, mínimo de 20 linhas pra ela nunca foi algo muito fácil.
Não é só questão de pontuação, era a sua vida passada a limpo numa espécie de dissertação.
Mas pra ele bastou como um conto,
Foi ponto. Final e pronto.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Delitos



Fim da noite, fim de festa, nosso começo
Toques sem pressa, vontade de se despir sem anseio
Dançar sem ritmo certo, passo a passo seus movimentos eu aprendo
Suor escorre do rosto, suas mãos alcançam meus dedos, eu me rendo...

Sem regras e horários, só o momento
Eu, você, um certo lugar, tanto faz o contexto
Fim de tarde, a música para, eu recomeço
você me abraça me oferece peito, eu adormeço

Juntos, nos afogamos num mar de devaneios
Suas preces, minhas rezas, nossos receios
O calor ferve e as bocas já ñ possuem freios
Seu santo é fraco e você se perde entre meus seios

E entre tantos delitos e declarações
Abusamos de nós, como provam os arranhões...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Despedida


Poucos dias que parecem uma eternidade, e eu ainda não aprendi o que fazer com essa tal Saudade...

Muitas horas que passam, correm, me alugam,

E hoje entendo como por conta da distância algumas pessoas surtam.

Os momentos com sua presença nunca são suficientes,

E a falta dela faz, com que eles se tornem intermináveis e insistentes.

Tenho apreço pelo que me foi deixado, como o beijo e o abraço inebriado.

Tenho pensamentos avoados, calmos e vagos.

Coração tentou negar o que a razão com os olhos se fez enxergar,

Suspendeu a fala. Admirou o silêncio.

Suspirou com calma, e manteve na garganta o choro preso.

Mas a intensidade dos olhos não cala o sentimento que em seu peito habitou.

A essa altura já não há mais verbos que descrevam o vazio que deixou.

Por mais distante que esteja, vc sempre se faz presente em minha vida.

E no avião que hoje ocorre teu embarque

Deixo o meu bilhete de despedida...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Intensidade



Um momento, uma aproximação
Alguns gestos, uma pergunta e a possibilidade de resposta: Sim ou não.
Dúvida, medo e euforia.
O corpo em fusão, uma espécie de alquimia.
Contagem regressiva a partir do dez
Saliva, o sangue pulsa... Insensatez.

Boca carmim.
Resposta: sim.
Vestido vermelho cetim,
Corpos a espera de um fim...

Peças de roupas em todos os lugares,
Olhares antes inocentes hj são vulgares,
Decência não mais sustenta os paladares
Depois de saciados, todos retornam a seus lares...

E o instante se faz, intensidade.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

MiniContos


Acontece:
Ele sofreu pela partida
Ela sofreu por sua ida
Ele ferido por algo que ela queria cicatrizar
Ela ferida por algo que ele já não mais pode cuidar...
É, não sei o que chega a ser mais dilacerante.


1ª Impressão
Só porque pedi um abraço ele se assustou!
- Eu não mordo menino, relaxa!
Ele sorriu e se entregou!

Crise
Falava sozinha, pensava alto demais
A cama vazia, como lhe fazia falta aquele rapaz!
Domingo, chovia e nem o chocolate lhe satisfazia mais
A semana era sombria e seus dias não tinham paz.
Mais uma dose
Solucei antes de responder sua questão,
Glup! Mais um gole no Whisky.
Repeti o gesto mais 3 vezes antes de dar o meu veredito final
E no fim, acabei bêbado sem opinião.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Corpo

"...Eu só queria deixar meu corpo gritar, onomatopéias!
Porque palavras meu bem, eu nem sei de onde elas vem...'' - Lurdez da Luz

Já conheço as sensações e decifro os sinais
Ele não mais me engana... A pele já compreende o que exclama.
Não há mensagem por ele não traduzida, não há palavra por ele não lida
Com uma linguagem unica e peculiar, ele encanta e entoa num tom familiar
Com pegadas marcadas por suspiros a alma entrega o seu estado de espírito.
Não há como controlar... Tem vontade própria.
E pra quem o ousa fazer, vê, que a carne transborda...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Consoantes e Vogais


Eu estranho a distinta aparência entre o ser e estar
E as vezes metralho a todos com ríspidas consoantes e vogais,
Que se encontram numa briga desgovernada por atenção.
Aliás, saliente essas vogais!
Sossegadas as vezes até demais...
Mal tratadas, ásperas, alteradas.
Inadequados aqueles que não sabem utilizá-las,
Ausentes de quem persegui-las...
Que se façam necessárias e ponham-nas em questão
Tranquem-nas em folhas pautadas e em anúncios de televisão!
Saboreie o som, das consoladas e cansadas notas musicais
Acompanhadas sempre de consoantes e vogais.
Tragam-nas pressas na garganta, que seja em forma de poema ou mantra
Que seja para aliviar a dor, pra quem sofre por amor
Que venha para acalentar uma nova alma, que sejam soltas para manter a calma...
Que venham da forma e do jeito que quiser
E que mandem o recado a ponto de você entender
Que independente de classes sociais, todos possuem o direito de utilizá-las:
As consoantes e as Vogais!