quarta-feira, 20 de julho de 2011

Menina Mulher


“... Pensando nela, todo dia toda hora, passando pela minha janela, todo dia toda hora,
Sabendo que eu fico a olhar com malícia, a sua pele preta, com malícia...” -  Jorge Ben
Não dá sossego á minha mente
Atormenta ainda mais quando não esta presente.
Deixou uma marca, algo pra quem vê de fora transparente
Deixou em mim uma vontade indecente...
A carne transborda desejos e fantasias
Os dedos se atrevem a tocá-lo de forma audaz
Entre arranhões, beijos e poesia
Ela o provoca e só a lembrança da saliva hoje não o satisfaz.
O corpo agora adormecia,
Insinuava taras e malícias
Ele, pouco a pouco a paz perdia
Relembrando daquele corpo o qual tanto pede por carícias
-Com malícia....







segunda-feira, 11 de julho de 2011

MiniContos - Parte II



Negativo
Não quero anel de prata nem cordão de ouro no pescoço,
Não quero ainda ser considerada como primata e viver sempre no osso.
Não quero mais o limite que sempre me foi imposto,
Nem o apetite, se ele ainda for saciado por quem por obrigação me ofereço almoço.

 Bonança
A unção foi certeira,
Amor mútuo!
E o que antes era unidade,
Hoje passou a ser duplo!

Paz
Necessitava de um simples agrado,
Mal não faria em dizer Obrigado
Difícil é viver sempre no passado,
E se houvesse mais cordialidade, no meio dessa guerra de egos ninguém sairia machucado. 

Sativa
Sativa, saliva
Ativa a retina
Pupila saltita
Inofensiva sativa.

 4 Mandamentos
Cala. A fala é falsete num momento de decisão,
Para. E o movimento é luxo no meio da multidão.
Sonha. Porque no teu sonho tudo pode residir,
Cria. Tuas próprias cores pra não deixar de existir.



quarta-feira, 22 de junho de 2011

Indecisão



Talvez seja a sonoridade da voz,
O timbre certo.
Talvez seja o jeito de andar,
Passos discretos.
O olfato aguça o paladar, deixo em segredo
Pele marcada, respiro ofegante, dois corpos negros.

Encontros casuais, desejos sexuais
Toques em extinção, olhares sem permissão.

É proibido, mas ele insiste.
É perigoso, mesmo assim ela se permite.
É intenso, momentâneo e efêmero
Intervenção de sentimentos, saber lidar com a causa e o efeito.

Talvez seja o conforto que seus braços lhe oferece,
Afago.
Talvez seja um sentimento muito precoce,
Entusiasmo.
Talvez seja o toque, a reação dos poros.
O instante do choque – Olhos nos olhos!

Talvez sejamos nós em momentos distintos
E a nossa ausência se faz abrigo.
Se é proibido, melhor não contrariar
Talvez seja mais uma fase, coisa da idade, necessidade
Ou o simples fato de nos distanciar...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ponto Final



Não foi exclamação, nem dois pontos, nem interrogação.
Foi ponto, final e pronto.
Sem muita enrolação, sem reticências ou aspas, sem verbalização.
Foi ponto.
Pra ele? Sim.
Pra ela, não.
Entretanto, não houve tempo para um novo parágrafo e questioná-lo seria em vão.
Foi ponto e nem na mesma linha houve continuação.
Na folha de sua vida ainda havia certo espaço, mínimo de 20 linhas pra ela nunca foi algo muito fácil.
Não é só questão de pontuação, era a sua vida passada a limpo numa espécie de dissertação.
Mas pra ele bastou como um conto,
Foi ponto. Final e pronto.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Delitos



Fim da noite, fim de festa, nosso começo
Toques sem pressa, vontade de se despir sem anseio
Dançar sem ritmo certo, passo a passo seus movimentos eu aprendo
Suor escorre do rosto, suas mãos alcançam meus dedos, eu me rendo...

Sem regras e horários, só o momento
Eu, você, um certo lugar, tanto faz o contexto
Fim de tarde, a música para, eu recomeço
você me abraça me oferece peito, eu adormeço

Juntos, nos afogamos num mar de devaneios
Suas preces, minhas rezas, nossos receios
O calor ferve e as bocas já ñ possuem freios
Seu santo é fraco e você se perde entre meus seios

E entre tantos delitos e declarações
Abusamos de nós, como provam os arranhões...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Despedida


Poucos dias que parecem uma eternidade, e eu ainda não aprendi o que fazer com essa tal Saudade...

Muitas horas que passam, correm, me alugam,

E hoje entendo como por conta da distância algumas pessoas surtam.

Os momentos com sua presença nunca são suficientes,

E a falta dela faz, com que eles se tornem intermináveis e insistentes.

Tenho apreço pelo que me foi deixado, como o beijo e o abraço inebriado.

Tenho pensamentos avoados, calmos e vagos.

Coração tentou negar o que a razão com os olhos se fez enxergar,

Suspendeu a fala. Admirou o silêncio.

Suspirou com calma, e manteve na garganta o choro preso.

Mas a intensidade dos olhos não cala o sentimento que em seu peito habitou.

A essa altura já não há mais verbos que descrevam o vazio que deixou.

Por mais distante que esteja, vc sempre se faz presente em minha vida.

E no avião que hoje ocorre teu embarque

Deixo o meu bilhete de despedida...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Intensidade



Um momento, uma aproximação
Alguns gestos, uma pergunta e a possibilidade de resposta: Sim ou não.
Dúvida, medo e euforia.
O corpo em fusão, uma espécie de alquimia.
Contagem regressiva a partir do dez
Saliva, o sangue pulsa... Insensatez.

Boca carmim.
Resposta: sim.
Vestido vermelho cetim,
Corpos a espera de um fim...

Peças de roupas em todos os lugares,
Olhares antes inocentes hj são vulgares,
Decência não mais sustenta os paladares
Depois de saciados, todos retornam a seus lares...

E o instante se faz, intensidade.